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SAÚDE

07/03/2018 16h15

Dia Internacional da Mulher: NÃO ao assédio

O assédio e a violência sexual contra a mulher afetam a saúde mental e a dignidade das mulheres


A FEHOESP - Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo está divulgando  em suas redes sociais um alerta a todos os 55 mil serviços de saúde associados, incluindo médicos e profissionais do setor, para que estejam atentos para os casos de assédio e violência sexual contra a mulher que podem chegar aos prontos-socorros e clínicas.

Segundo o médico e presidente da FEHOESP, Yussif Ali Mere Jr, todo o segmento de atendimento à saúde deve estar preparado para atender e acolher as mulheres vítimas de casos de violência. Daí o alerta da FEDERAÇÃO nesse Dia Internacional da Mulher.

Este tipo de crime sofre subnotificação por parte das mulheres agredidas por vergonha, medo ou ignorância dos seus direitos. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, apenas entre 10% e 20% dos casos de violência contra a mulher são denunciados às autoridades competentes. No Metrô de São Paulo, registra-se 4 casos de assédio sexual por semana, segundo apurou o jornal O Estado de São Paulo.

O tema veio à tona na mídia recentemente quando atrizes famosas de Hollywood denunciaram assédio por parte de um conceituado produtor de filmes e no Brasil causou indignação pública o homem que ejaculou no pescoço de uma mulher no metrô de São Paulo.

O último Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2017) registrou quase 50 mil estupros no país em 2016; um aumento de 3,5% em relação ao ano anterior. Calcula-se que esse número represente apenas 10% do total de casos que realmente acontecem, ou seja, o Brasil pode ter quase meio milhão de estupros a cada ano.

Transtornos à saúde

O assédio sexual pode desencadear problemas de saúde, sociais e comportamentais. Mas as pessoas reagem de forma diferenciada a um assédio.

O médico Yussif Ali Mere Jr chama atenção para estudos que mostram que o assédio pode causar transtornos mentais, físicos e sociais. “A mulher assediada pode ter depressão e estresse pós-traumático. Outras consequências da violência sexual incluem a gravidez indesejada, as doenças sexualmente transmissíveis, maior propensão ao uso de álcool, drogas e suicídio”, alerta.

No âmbito familiar, a violência sexual pode gerar problemas familiares e sociais, abandono dos estudos, perda do emprego, separação conjugal, entre outras.

Para o presidente da Federação, o combate à violência começa com a garantia de uma rede de apoio às vítimas. ”Elas precisam de suporte emocional adequado, dado por profissionais bem preparados e, ao mesmo tempo, precisam de meios legais eficientes que as protejam, sendo a denúncia desses crimes o melhor caminho para mudar a atual situação de impunidade”, destaca o médico.

Assédio sexual não é punido

No conhecido caso do homem que ejaculou no pescoço de uma mulher no metrô de São Paulo não houve punição exemplar ao criminoso. O juiz desqualificou o estupro e considerou o crime uma contravenção.

Na opinião de especialistas, o assédio sexual não é punido no país por falta de lei específica e, mais que isso, por falha na formação de juízes no entendimento da gravidade da violência de gênero.

De acordo com o presidente da Federação, ignorar o impacto, o trauma e os danos da violência sexual são reflexos de um comportamento machista e patriarcal da própria sociedade e do sistema judiciário.

Curriculum

O médico Yussif Ali Mere Jr. é presidente da FEHOESP- Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo e do SINDHOSP- Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo.

 

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